Novos Cielos. Novos talentos

O Instituto Cesar Cielo foi criado com o objetivo de incentivar e aprimorar a prática da natação no País, dando oportunidade de desenvolvimento a novos talentos. Para isso, seus fundadores, o nadador Cesar Cielo Filho e seus pais, Flávia e Cesar Cielo, contam com a experiência acumulada durante anos na formação do único campeão olímpico do Brasil. O Novos Cielos, programa do Instituto, aprovado pela Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério dos Esportes, já conseguiu captar recursos para o núcleo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), da Secretaria Municipal de Esportes da Prefeitura de São Paulo.

O Novos Cielos foi idealizado para apoiar talentos da natação, com treinamento para crianças e jovens de 6 a 18 anos e participação em competições, a partir de parcerias com polos de vocação formadora, como a Associação dos Nadadores e Esportistas de Limeira (ANEL), o Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), da Prefeitura de São Paulo, e o Esporte Clube Barbarense/Unimed.

“A meta do projeto é ajudar no crescimento da natação. Com recursos, o programa poderá oferecer inscrições em torneios, transporte, alimentação, hospedagem e uniforme. A ideia é, basicamente, dar estrutura para a garotada que quer nadar, desde cuidar da piscina em si até pensar no material humano, em professores capacitados para manter um nível de treinamento bacana. Além da parte de competições. Muitas vezes, os locais são distantes e os nadadores não têm como bancar o deslocamento e a ida à competição”, resume Cesar Cielo.

O apoio por trás do sucesso

Cesar Cielo ganhou destaque no mundo do esporte com as conquistas nas piscinas, entre elas o ouro inédito para a natação brasileira na Olimpíada de Pequim, em 2008. Por trás da fama e dos resultados expressivos, sempre houve muito apoio e trabalho da família Cielo. Flávia Cielo, formada em Educação Física, dava aulas de natação no Esporte Clube Barbarense – a escolinha era mantida com a ajuda dos pais dos nadadores e chegou a ter 650 alunos – e, assim como o marido, Cesar, sempre participou como conselheira da gestão da escolinha, tanto na parte técnica quanto na administrativa e financeira.

Flávia e Cesar investiram tempo e recursos no desenvolvimento do filho, depois campeão. Vivenciaram e presenciaram todas as decisões importantes de sua carreira. Dos 8 aos 15 anos, quando Cesar Cielo se mudou para São Paulo para treinar no Esporte Clube Pinheiros, o acompanhamento dos pais era constante. Estavam presentes nos treinos, nas viagens para a disputa de competições, em tudo que estivesse ligado ao desenvolvimento do filho como nadador.

Cielo ficou no Pinheiros até 2006. Aos 19 anos, foi para os Estados Unidos, treinar e estudar na Universidade de Auburn. As conquistas não pararam. Foram dez títulos do NCAA, o campeonato nacional das universidades americanas, medalhas de ouro em Pan-Americanos, Mundiais, Olimpíadas, Brasileiros. Passou para a história como o velocista mais rápido do mundo nos 50 m livre e nos 100 m livre, as provas nobres da natação. Nada disso seria possível se Cielo não tivesse recebido formação adequada e suporte para seu desenvolvimento.

É essa experiência na natação que está colocada no Novos Cielos.

“Acho que o meu jeito de devolver um pouco do sucesso que eu obtive para a comunidade do esporte que eu pratico, de que eu gosto e que eu escolhi, seria ter o projeto social. Tudo o que eu tenho na minha vida eu devo à natação. Então, pode ser uma forma de ajudar um pouquinho, dando a chance para que outros possam conseguir também”, afirma Cesar Cielo.

Acesso a piscinas ainda é entrave para o desenvolvimento

O Novos Cielos também está no contexto da necessidade de desenvolvimento que o esporte nacional ainda tem.  A natação brasileira, apesar de ser símbolo de glória para o esporte pelas diversas medalhas em Olimpíadas, Pan-Americanos e Mundiais, ainda carece de apoio para a iniciação. É um esporte muito praticado no País, mas o acesso às piscinas ainda é um entrave para quem começa – via de regra, o esporte está restrito a clubes particulares e academias.

Ao mesmo tempo, a natação exige número elevado de horas de treinamento e tem custos altos para a disputa de competições, fatores que também dificultam o aparecimento de atletas de renome internacional. Tudo isso aliado à dificuldade de captação de patrocínio – as categorias de base não podem oferecer exposição na mídia. Núcleos de vocação formadora podem aperfeiçoar trabalhos gratuitos de formação, com recursos vindos de projetos como o Novos Cielos.

 

Imagens: Contrapé/Divulgação e Aparecido Farias/Keeper.