NOVOS CIELOS QUER DAR OPORTUNIDADE NA NATAÇÃO E NA VIDA PARA CRIANÇAS E JOVENS

Cesar Cielo: núcleo paulistano do Novos Cielos

 

 

O campeão olímpico e mundial apresentou o núcleo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, em São Paulo (tem 70 nadadores de 8 a 18 anos), e falou sobre os objetivos do projeto

São Paulo – As crianças dão tapas no peito ‘para acordar o corpo’, imitando Cesar Cielo, o ídolo da maioria na natação. E ainda mergulham para tentar enxergar a técnica de nado do campeão olímpico. Ou simulam que estão apostando corrida com ele, que muitas vezes treina logo ali, na raia ao lado. Alguns ficam nervosos ou tímidos no contato com o nadador mais rápido do mundo, outros, mais extrovertidos, partem para o abraço. Assim tem sido a convivência do campeão olímpico e tricampeão mundial Cesar Cielo com as 70 crianças e jovens, de 8 a 18 anos, que integram o Novos Cielos, projeto de desenvolvimento da natação, no núcleo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (COTP), da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação da Prefeitura de São Paulo.

Eles também querem mostrar as medalhas trazidas de competições, como Mary Ana Farina e Bruno Suzuki, ambos de 12 anos, que foram ao pódio no XLVI Festival Sudeste de Clubes Mirim e Petiz, em Vitória. “Eu gosto de competir e já ganhei medalhas. Já nadei do lado do Cielo em treino, mas fiquei um pouco nervosa. Mas acho legal”, disse Mary Ana, que também tem a irmã Joana, de 8 anos, no projeto. Em Vitória, ela ganhou ouro nos 100 m costas (1min14s38), bronze nos 200 m medley (2mim41s97) e nos 100 m peito (1min22s98).

“É lógico que podemos sonhar que daqui vá sair um campeão, como no projeto do Flávio Canto, com a Rafaela Silva. Mas, acima de tudo, o objetivo do Novos Cielos é oferecer a oportunidade para eles conseguirem uma bolsa de estudos na faculdade, para poderem competir, conseguir ganhar salário em um clube… Esse é um começo, mas espero que seja um celeiro de talentos e, acima de tudo, de pessoas que tenham oportunidades na vida”, disse Cesar Cielo, indicado pela Fina ao prêmio de melhor nadador do ano, depois das medalhas de ouro no Mundial de Barcelona – concorre com o francês Yannick Agnel, o sul-africano Chad Le Clos, o americano Ryan Lochte, o australiano James Magnussen e o chinês Sun Yang.

Cesar Cielo teve a companhia do secretário municipal de Esportes, Celso Jatene, do diretor do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, Rogério Sampaio, e do professor Luiz Fernandes Barbosa para mostrar o núcleo paulistano do Novos Cielos a um grupo de jornalistas. “Fica clara a parceria entre o atleta campeão, o Instituto que ele criou, o Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, os patrocinadores que estão apostando (Banco Volkswagen e Barras Jasmine) e o governo municipal de São Paulo, com o espaço físico e a clientela, a criançada. Para nós, é uma satisfação poder sediar esse projeto do Cesar Cielo”, observou Celso Jatene.

O que diz Cesar Cielo

 O projeto em que você começou a nadar era parecido com o Novos Cielos?
Cesar Cielo – Comecei em um clube, na escolinha do Barbarense, em Santa Bárbara D’Oeste. A ideia do Novos Cielos é eu devolver para a comunidade aquática todo o sucesso que consegui, usar a oportunidade que eu tenho para ajudar, não desperdiçar isso, não deixar passar. Se vai sair um campeão daqui – é o que a gente mais quer – eu não sei, mas o mais importante é dar oportunidade.

São crianças que vão ser atletas de alto rendimento ou é um projeto para divulgar mais a natação do Brasil?
Cesar Cielo – São atletas que vão ter a oportunidade de treinar em alto nível para buscar resultados. A gente quer medalhas, que eles sejam campeões paulistas e brasileiros. E, se Deus quiser, que saia daqui um campeão internacional, que saiam nadadores e exemplos como pessoas.

Seus pais, Cesar e Flávia, ajudam com o Novos Cielos?
Cesar Cielo – Meus pais estão com a mão na massa, mais do que eu, por causa do meu calendário de treinos e competições. Sou mais o exemplo ativo. Eu treino com eles, muitas vezes dividi com eles a piscina do Centro Olímpico. Eles têm a oportunidade de ver a minha rotina de treino, o que eu faço, como eu lido com as coisas.

Você chegou a dividir piscina com ídolos?
Cesar Cielo – Treinei com Gustavo Borges. Em 2003 e 2004 dividia a piscina com ele todos os dias. Foi importante ter essa experiência, ter o exemplo do Gustavo. Demorou meses para eu enfrentar aquela transição de fã para companheiro dele nos treinos. Ainda hoje, vejo o Gustavo como um ídolo. Mas, com certeza, se eu olhar para trás, foi uma das coisas mais importantes na minha carreira. Espero que, daqui a alguns anos, alguns dos nadadores daqui falem a mesma coisa.

Qual o diferencial do projeto?
Cesar Cielo – Acho que oferecer competições, uma boa piscina como a do Centro Olímpico, a proximidade comigo… A gente monta isso aqui para criar atletas profissionais. Se vão ser campeões mundiais ou não está fora do nosso controle, mas estamos oferecendo oportunidades, uma chance na natação e na vida.

Algumas crianças ficam nervosas quando você chega…
Cesar Cielo – É engraçado. Algumas me dizem “oi” com medo, outras são mais descontraídas…. Chegam abraçando. O mais legal é quando estou treinando. Várias vezes eu já percebi… Estou nadando devagar, de costas, numa boa… e percebo alguém passando como um maluco. Chega na borda, tira o óculos, vê se ganhou. É bacana. Quero que vejam isso como um objetivo palpável, que vejam que tudo pode acontecer com muito treino, dedicação. Pode ter dia bom, dia ruim, mas o mais importante é acreditar que vai dar certo, se dedicar.

Alguns até imitam você, batendo no peito…Dizem que a maior inspiração é treinar do seu lado.
Cesar Cielo – Desde que funcione para eles, é válido. Faço treino separado, mas estamos juntos na piscina. De vez em quando, vejo um deles afundando para ver, prestando a atenção na técnica que estou fazendo. Tenho de me policiar o tempo todo no treino, não posso fazer uma coisa errada porque eu sei que eles estão vendo e não quero dar um exemplo ruim. E para eles é legal porque é a chance de ver que não é nada que não possam fazer. Todo munda ganha.

O projeto está bem estruturado e você acha que algumas crianças têm condições de chegar lá?
Cesar Cielo – Acho que sim. Vi alguns nadando. E também tem o staff que a gente montou, os professores, que são bons. Sabemos que de muitos saem um ou dois campeões. Mas é isso. O projeto é bem direcionado. Hoje tem muita iniciação, mas não um segmento competitivo.

O Novos Cielos tem mais dois núcleos, em Limeira e em Santa Bárbara D’Oeste, ambos no interior de São Paulo.

O Instituto Cesar Cielo e o projeto Novos Cielos têm apoio do Ministério dos Esportes, pela Lei de Incentivo Fiscal, com patrocínio do Banco Volkswagen e Barras Jasmine.